Turista francês detido no Irã será julgado por espionagem; pena pode ser a morte

O francês Benjamin Brière, que entrou no Irã como turista, será julgado por “espionagem” e “propaganda contra a República Islâmica”, afirmou seu advogado neste domingo (30).

Brière, 35, foi preso em maio de 2020, supostamente enquanto pilotava um drone e tirava fotos em uma área proibida. A espionagem é punível com a morte no país, enquanto a acusação de “propaganda contra o sistema” pode incorrer em uma pena de prisão de três meses a um ano.

O francês está na prisão de Vakilabad, na cidade sagrada de Mashhad, localizada no nordeste do país.

Após um ano de investigações na Justiça iraniana, ele será julgado pelo tribunal revolucionário do país. Nenhum detalhe foi dado sobre a data do julgamento e as acusações, mas, de acordo com a mídia iraniana, ele é acusado por ter tirado fotos e vídeos de zonas militares.

Brière estava viajando pelo Irã em sua van e foi preso perto de Mashhad. Ao longo da estrada entre Teerã e a cidade, existem várias bases militares importantes, incluindo locais de mísseis balísticos. Ele também é acusado de ter questionado o uso obrigatório do véu islâmico em suas postagens nas redes sociais.

Trocas de prisioneiros

O julgamento acontece no momento em que o Irã detém a pesquisadora franco-iraniana Fariba Adelkhah, condenada a seis anos de prisão por ação contra a segurança nacional e propaganda contra o regime.

Nos últimos anos, o país fez várias trocas de prisioneiros ou binacionais estrangeiros com cidadãos iranianos detidos na França, na Austrália e nos Estados Unidos. No entanto, no início de maio, um diplomata iraniano, Assadollah Assadi, foi condenado na Bélgica a 20 anos de prisão como parte de uma investigação sobre um ataque planejado perto de Paris contra oponentes iranianos.

Sem resposta de Macron

O anúncio ocorre dias após a publicação, na imprensa francesa, de uma carta aberta da irmã de Brière, na qual ela exorta o presidente francês, Emmanuel Macron, a obter a libertação dele, que foi preso, segundo ela, “sem fundamento” e transformado em “instrumento de negociação”.

Seu advogado na França, Philippe Valent, afirmou que “até o momento” nem Macron nem o Ministério das Relações Exteriores francês responderam, “deixando a família de Benjamin ainda mais preocupada e indefesa” diante dessa “detenção arbitrária”.

O francês foi alvo de outras duas denúncias que acabaram não sendo incluídas na investigação: “corrupção na Terra”, uma das mais graves do código penal iraniano, passível de pena de morte, e consumo de álcool, passível de punição de açoite, de acordo com seu advogado no Irã.

Fonte: Folha de S.Paulo

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