Atenção: EUA vão rastrear imigrantes que se passam por turistas em Cancún

Autoridades fronteiriças dos Estados Unidos foram enviadas ao México para ajudar agentes imigratórios mexicanos a rastrear turistas que chegam a Cancún com intenção de continuar a viagem à fronteira americana de forma ilegal, disseram duas fontes do Departamento de Segurança Nacional à rede CNN, em reportagem publicada nesta quinta-feira, 10.

Os esforços são parte de uma estratégia em várias frentes para conter o fluxo migratório na fronteira EUA-México, após meses consecutivos de aumento no número de detenções. A expansão em Cancún, conhecida por praias e resorts, é parte de um programa já existente dentro da agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA para identificar pessoas que possivelmente podem seguir aos EUA com intenção de entrar ilegalmente no país.

Cancun Airport to Soon Welcome More Flights From US, Europe | TravelPulse

Segundo a reportagem, é incerto se haverá presença americana permanente em Cancún. Como parte do programa, autoridades trabalham com o México para identificar pessoas com “alto risco” para imigração ilegal, impedindo que consigam prosseguir. Mais cedo nesta semana, a vice-presidente americana, Kamala Harris, deu início a uma viagem diplomática de três dias com objetivo de conter o recente aumento de imigrantes. Durante entrevista coletiva junto ao presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei, Kamala disse ser importante desencorajar que pessoas desses três países, de onde sai a maioria dos imigrantes que seguem para território dos EUA, façam a jornada à fronteira americana.

“Os Estados Unidos continuarão aplicando nossas leis e protegendo nossas fronteiras”, disse a democrata. “Se vocês vierem para nossa fronteira, serão mandados de volta (…) Não venham, não venham“, enfatizou. Em maio, autoridade americanas abordaram cerca de 180.000 imigrantes na fronteira do país, o que coloca os EUA em um ritmo para superar os números da crise de 2019, com quatro meses restantes no ano fiscal. Cancún é vista como um ponto vital de imigração ilegal à medida que possui um dos maiores aeroportos do México com capacidade significativa de receber voos internacionais.

Cancun Airport Transportation - DreamJo.bs

Por conta da pandemia de Covid-19, a cidade também entrou na rota de muitos brasileiros. Como voos do Brasil aos Estados Unidos estão restritos, muitas pessoas seguem para o México para fazer uma quarentena obrigatória antes de entrar em território americano. Há inclusive um fenômeno de pessoas que fazem a viagem apenas para se vacinar, pagando preços exorbitantes. Além dos brasileiros, há uma vasta lista de nacionalidades entre os que chegam à fronteira EUA-México, a maioria do próprio México e dos países do Triângulo Norte da América Central — Guatemala, El Salvador e Honduras. Dos quase 180.000 imigrantes abordados em abril, 34.000 foram listados como “outras nacionalidades”, entre eles brasileiros e venezuelanos.

Onda de imigração

A região passa por uma forte onda de imigração para os Estados Unidos desde a chegada de Biden à Casa Branca no final de janeiro e as autoridades do país prenderam 100.441 imigrantes sem documentos em fevereiro, em comparação com 78.442 em janeiro. O número de adultos sem documentos apreendidos dobrou entre outubro de 2020 e fevereiro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano fiscal anterior.

O mês de abril, por sua vez, foi o segundo maior já registrado para crianças desacompanhadas na fronteira, após recordes em março. Segundo o governo americano, houve um aumento de 3% em abril em relação a março, marcando o nível mais alto desde abril de 2000. Quando Biden assumiu o cargo, ele prometeu acabar com a postura linha-dura de seu antecessor, Donald Trump, em relação à imigração. Ele criticou a política de tolerância zero do ex-presidente, que separava famílias de migrantes, e criticou procedimentos que incluíam manter crianças em “gaiolas”. O novo governo parou de forçar os solicitantes de asilo a esperar pela data do julgamento no México e interrompeu a construção de um muro de fronteira ao longo da fronteira sul do país.

Agora, no entanto, o democrata enfrenta críticas duras sobre o modo como está lidando com uma onda de migrantes com destino aos Estados Unidos, sobretudo após o deputado democrata Henry Cuellar divulgar uma série de fotos de um centro de detenção lotado que abrigava crianças migrantes. Líderes republicanos dizem que, por uma postura “mais aberta”, Biden é o culpado pela nova onda de migrantes que está aparecendo na fronteira EUA-México, criando uma situação de crise que ameaça a segurança americana. O governo, por sua vez, argumenta que os EUA ainda estão expulsando os requerentes de asilo de volta ao México sob o Título 42 — uma cláusula da era Trump que citava a pandemia do coronavírus como uma razão para permitir a deportação rápida de migrantes. Eles também negam que haja uma crise. // Veja.

Fonte: Brazilian Press

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